Solidão é uma palavra que às vezes dói
Normalmente não me incomodo de estar sozinha.
O duro é quando percebo que sou sozinha.
Sei que eu me afasto das pessoas quando preciso do meu tempo, do meu espaço.
Não sou dada a jogar conversa fora, não sou a pessoa popular da academia, mal conheço meus vizinhos.
O duro é quando pessoas que eu considero amigas só lembram de mim quando precisam de alguma coisa.
Vai ter festa na casa da Marcela, quem não tem carona liga pra Gi.
A Ana precisa achar o telefone do médico e não lembra como faz pra encontrá-lo no Insta? Liga pra Gi.
A outra precisa que alguém dê comida pros cachorros enquanto viaja? Chama a Gi.
Precisa de dinheiro emprestado? Pede pra Gi.
Sempre, sempre, sempre é a mesma história.
Dias que eu realmente estou me sentindo muito sozinha e preciso de alguém pra tomar um café e dar risada, não tenho pra quem ligar.
Porque eu sei que vou ligar e vou ouvir uma desculpa, uma recusa.
Aí eu me fecho mais e mais e mais e a vida acaba ficando entre meu trabalho, meus livros.
Amanhã é meu aniversário de casamento.
40 anos que disse sim e 29 anos que o Eric morreu.
Nos dias como hoje, de solidão extrema, faço uma coisa que raramente faço: eu como teria sido a minha vida.
Estaríamos os dois velhinhos morando numa casa ou apartamento em Sorocaba ou teríamos mudado de cidade?
Seríamos sempre os melhores amigos um do outro?
Sei com certeza que teríamos amigos porque a maioria das pessoa gosta de casal.
Depois que ele morreu foi uma verdadeira debandada.
Nessas horas em que me sinto muito só eu penso na minha mãe.
A única coisa diferente com ela era que tinha os filhos por perto, mas não tinha muitas amigas.
Na verdade, tinha quase nada.
Dizem que os amigos são as curas para todos os males.
Eu devo ser remédio para os outros, mas não tem remédio para mim.
Dr. Celso dizia que a gente deveria viver para servir.
Acho que estou cumprindo esse propósito, mesmo que seja a custa de muitas lágrimas.
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