Houve um tempo

 Houve um tempo que eu amava dar aulas, que sentia que fazia a diferença na vida dos alunos.

Hoje é só uma maneira de ganhar a vida.

Aluno marca aula e não aparece e nem manda mensagem dizendo que não vem.

Aluno não faz lição e acha que vai aprender por osmose e estou falando de adultos. A única aluna adolescente que tenho é a Carol.

Aluno usa hora de aula como terapia, mas paga como aula.

É como se eles achassem que eu não tenho vida, que eu não tenho mais nada para fazer.

Houve um tempo que eu acreditava que dava para mudar o mundo, que acreditava no que Dr. Celso dizia: "Você acha que o mundo não pode mudar ou você não muda?"

Perdi a fé em tanta coisa.

Não perdi a fé em Deus, nem em Jesus, no Espírito Santo, em Nossa Senhora ou nos anjos e santos, mas não tenho mais fé alguma de que os homens mudem, que enxerguem aquilo que se recusam a ver.

Tem aluno que eu tenho vontade de bater.

A Daniela, por exemplo.

Diz que quer aprender mas está sempre sempre sempre usando justificativas.

E manda áudio com vozinha de coitada e eu me seguro pra não dizer "Pelo amor de Deus, você é uma mulher de 57 anos que age como se tivesse 15."

Ela sonha em arrumar um homem que vá cuidar dela e em ganhar na loteria e nunca mais trabalhar.

Francamente, em vez de valorizar o trabalho que tem, a inteligência que Deus lhe deu, a vida que tem, ela quer algo que certamente a faria feliz por um curto espaço de tempo.

Houve um tempo que eu achei que as pessoas podiam querer mudar.


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