Se eu falasse em voz alta...
...que preferia estar morta um monte de gente me diria "Ah, você está deprimida."
Mas não é depressão, é chegar num ponto da vida em que eu olho e vejo que as únicas pessoas que eu amo são meus filhos e meus netos.
Meus netos ainda não tem idade para me amar de volta.
Eles gostam de mim, gostam de falar comigo, de brincar comigo, mas por morarem longe eu não sou algo muito real para eles.
Se eu morresse para eles não faria falta.
Meus filhos não me amam.
Isso é fato.
Pra Maui eu sou a pessoa que permitiu os traumas que ela tem (e 90% deles são da cabeça dela) e pro Patrick eu sou um fardo.
A Eline inventou de fazer uma festa lá em Caieras no sábado, sendo que o Patrick chega na sexta e vai direto para lá.
Ou seja, sobrou pra mim ficar três dias com o Gabriel, porque na quarta dia 18 eles marcaram dentista Caieras e de lá vão pro aeroporto.
Eu entendo, a Eline pensa na família dela, nos amigos dela.
O Patrick é incapaz de dizer pra ela que eu também sou avó e mereço um tempo com meu neto.
Se eu for depender de alguma vez o Patrick tomar a minha defesa vou ficar no ar.
De resto, pra que eu vivo?
Pra dar aula?
Pra ter meia dúzia de amigos que também se passam muito bem sem mim?
Que diferença faria pro mundo se eu não estivesse mais aqui?
Tem coisas que doem e meus filhos parece que tem prazer de me ver sentir dor.
Que outro papel eu tenho na vida?
Não sei o que tem do outro lado, mas é bem difícil que seja pior do que aqui.
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